Edição #2 · 31/07 a 07/08 | ||
Os quatro que furaram | ||
Os quatro posts que mais furaram a bolha em julho começam dizendo que eles mesmos não prestam. Parece autossabotagem, eu sei. A gente aprende a vender o próprio conteúdo na primeira linha, prometer o que ele tem de melhor, mostrar que vale o tempo de quem lê. Calma que eu te explico, porque os números aqui são bem específicos e eu abri todos. Julho fechou com 1.316.830 views em 52 posts. Quatro passaram de 100 mil. Os outros 48 não passaram, e a maior parte nem chegou perto. Isso é o normal e continua sendo, e quem te disser o contrário está vendendo alguma coisa. Mas os quatro que furaram têm a mesma abertura, e ela é o oposto do que se ensina: O maior fez 705 mil views com uma base de 19 mil seguidores. Ele começa assim: "os posts que mais trazem gente nova pro meu perfil são os que parecem bobos demais pra funcionar." O terceiro fez 112 mil. Começa com "parece papo de gente preguiçosa. Mas o post que você acha básico demais é o que mais traz gente nova." O quarto fez 110 mil, e é o mais interessante. Ele começa dizendo: "a maioria pede pro ChatGPT um post bom. E ele entrega um post bom, que ninguém manda pra ninguém." Repare no que os três fazem. Eles pegam a própria ideia e chamam ela de boba, preguiçosa ou insuficiente, antes de qualquer promessa. O motivo não é humildade. É que quem não te conhece já chegou desconfiado. Se você abre defendendo o seu conteúdo, você entra na briga do lado errado. Se você abre concordando com a desconfiança dela, você vira o único que está sendo honesto na tela inteira dela. E aqui vale separar duas coisas que quase ninguém separa: desqualificar a ideia e desqualificar a pessoa. "Parece bobo demais" fala da técnica. A pessoa concorda com você e continua lendo. A mira é sempre a ideia, nunca quem está do outro lado. O vilão dessa história é a promessa inflada. Ela parece o caminho seguro, porque todo mundo faz, e é justamente por isso que ela não funciona mais. Quando toda primeira linha promete transformação, a que admite um defeito é a única que soa como gente. Uma coisa que eu preciso dizer, porque seria fácil não dizer: quatro casos não são lei. Eu vou continuar publicando e olhando, e se em setembro a conta não se repetir, eu volto aqui e conto. O que eu tenho hoje é isto: meus três maiores começam admitindo um defeito, e os 48 que não furaram, quase nenhum começa assim. O que fazer amanhã, se você quiser testar: pegue o próximo post que você já tem na cabeça e escreva a primeira linha assim. "Parece" mais alguma coisa que faça a sua técnica soar boba, velha, preguiçosa ou pequena demais. Depois um "mas". Depois a promessa concreta, com as palavras que o seu público usa. Se você não souber qual defeito nomear, faça a pergunta ao contrário: o que alguém do seu ramo diria em voz alta pra desmerecer o que você faz? É essa a frase. Porque no fim é isso. Conteúdo não morre por ser fraco. Morre por chegar prometendo demais numa tela onde todo mundo já promete demais. | ||
O que andou essa semana Os conteúdos que renderam mais, e o porquê de cada um ter andado. Olha a estrutura por trás, não só o assunto. | ||
01 · Carrossel A maioria pede pro ChatGPT um post bom. E ele entrega um post bom, que ninguém manda pra… alcançou 5,5 vezes o tamanho da base, trouxe 9,9 seguidores a cada mil alcançados, 4.553 compartilhamentos. ver o post → | ||
02 · Carrossel Curtida é gentileza. A pessoa gostou, bateu duas vezes na tela e foi embora. 4.399 pessoas alcançadas. ver o post → | ||
03 · Reel O motivo de você postar e quase ninguém ver não é o horário, não é a hashtag e… 2.997 pessoas alcançadas. ver o post → | ||
04 · Imagem Seu post te respondeu. Ele respondeu em número, e ninguém te ensinou a ler número. Vou… 2.904 pessoas alcançadas. ver o post → | ||
05 · Carrossel Parece cópia descarada, mas o post que você não faz por medo de parecer cópia é o que mais… 2.408 pessoas alcançadas. ver o post → | ||
O achado da semana O Jogador, de Dostoiévski Dostoiévski escreveu este livro em 26 dias porque estava afundado em dívida de jogo. Tinha assinado um contrato com um editor que dizia: se o livro não ficasse pronto na data, o editor ficaria com os direitos de tudo que ele escrevesse pelos nove anos seguintes.
Ele ditou o romance inteiro pra uma estenógrafa contratada às pressas. Entregou no prazo. Depois se casou com ela.
E o assunto do livro é justamente o vício dele. Um homem que perde tudo na roleta, sabe que está perdendo, explica direitinho por que está perdendo, e joga de novo.
Por que eu indico isso pra quem cria conteúdo: é curto, umas 200 páginas, e você mata num fim de semana. É a porta de entrada mais fácil pra um autor que tem fama de difícil. E é uma aula do que a gente tenta fazer aqui toda semana, que é escrever alguém por dentro em vez de descrever alguém por fora. Você não fica olhando o jogador. Você fica dentro da cabeça dele, achando as desculpas dele razoáveis. Isso é o que faz um leitor não largar.
Se você nunca leu Dostoiévski e acha que é coisa de gente que tem tempo, começa por este. ver na página dos achados → | ||
O boteco da semana Semana dessas, andando de carro com a minha esposa, ela viu uma placa de vende-se na rua e falou que queria conhecer aquela casa. Placa comum, dessas que a gente passa direto por dezenas. Nome do bairro, preço, quantas suítes, telefone. E no meio de tudo isso, uma frase que não era técnica: uma gracinha. Foi só isso. Uma casa de milhões, e o que fisgou ela foi um diminutivo. O que me pegou não foi a palavra, foi o tamanho da distância que ela atravessou. Casa de milhões é assunto de banco, de escritura, de dívida. Gracinha é assunto de gente. A mesma casa, dois mundos, e o que separa os dois é uma letra. Fiquei pensando em quantas vezes eu escrevo certo e não aproximo ninguém. Tudo correto, tudo profissional, tudo distante. Ela não quis ver a casa. Ela quis ver a gracinha. | ||
O denso fica no YouTube Aqui cabe o resumo. Lá eu abro o estudo inteiro, o caso e o passo a passo, sem pressa de algoritmo. Assinar o canal | ||
Seja forte e corajoso 💪 | ||
Toda semana eu junto os conteúdos que renderam de verdade e mando por e-mail, com o porquê de cada um ter andado. Pra você usar no seu próprio conteúdo.